entre eclipses, encantos e desencantos

Estamos na primeira temporada de eclipses deste ano, iniciada com o eclipse lunar de 13–14 de março (dependendo do fuso). Como os eclipses da Lua e do Sol costumam ocorrer em pares, o próximo, solar, será em 29 de março. Mas por que esses eventos causam tanto impacto na astrologia? Porque são momentos de grande intensidade que acontecem com uma certa regularidade (cerca de dois pares por ano), trazendo mudanças, favorecendo rupturas, reinícios e resets. São oportunidades para demarcar um antes e um depois – seja em hábitos, padrões ou relacionamentos.

O “forçar desligar” seguido do “reiniciar” de um computador pode ser uma boa analogia. De repente, a máquina trava, e a única solução é desligá-la e tentar um novo início, na esperança de que tudo volte a funcionar. Às vezes, o reinício é inevitável; em outras, é uma escolha que facilita ajustes e reorientações. Os eclipses abrem esse portal de reconfiguração, e cabe a cada um decidir como aproveitá-lo: deixar o universo agir ou se preparar ativamente para um reinício consciente e alinhado aos próprios desejos e evolução. Se estivermos atentos, podemos perceber o que precisa ser transformado, encerrado ou iniciado.

O eclipse solar de 29 de março traz uma configuração especial: além do Sol, da Lua e dos nodos lunares Rahu e Ketu, cujo alinhamento dá origem ao eclipse, outros dois astros se juntam a essa intensa conjunção. Mercúrio e Vênus, ambos retrógrados, reforçam a necessidade de revisar nossos relacionamentos e a forma como nos comunicamos. Gosto de pensar em 'comunicar' como 'tornar algo comum'. E, algumas horas depois, Saturno também se une a esse grande encontro celeste, trazendo responsabilidade, limites e paciência. Um evento astrológico poderoso, com múltiplas camadas de energia, cujos efeitos já se fazem sentir e se estenderão pelos próximos meses.

Eclipses mexem com padrões – emocionais, comportamentais, relacionais. Trazem à tona o que ainda não foi resolvido, aquilo que precisa ser processado e liberado. Esses padrões costumam se revelar nos vínculos e parcerias: desafios na comunicação, expectativas frustradas, desequilíbrios entre dar e receber. O descompasso se instala, e, em um mundo que valoriza cada vez mais o individualismo, torna-se difícil acreditar no outro e, sobretudo, em construções coletivas.

Evitar a autorresponsabilidade e se colocar no papel de vítima é um gatilho comum, mas ineficaz. Os eclipses exigem maturidade e nos fazem encarar o que precisa ser transformado, purificado, transcendido. Se não olharmos para nós mesmos e tentarmos evoluir, como podemos esperar um mundo melhor? Essa é uma oportunidade de introspecção e reflexão. 

Podemos aproveitar essa temporada para pensar sobre compromisso, estabilidade, responsabilidade e generosidade – consigo mesmo e nos relacionamentos. Em um mundo de (des)conexões, esse alinhamento interno e externo se torna essencial. Esses eclipses nos convidam a transformar dispersão em foco, desordem em alinhamento de ideias, pessoas e circunstâncias.

Quando novas conexões se formam, novas possibilidades surgem. Sentimos um calor no coração, um entusiasmo genuíno, a certeza de que a vida vale a pena. Compartilhar um objetivo, estabelecer uma parceria, sentir-se parte de algo maior é o que dá sentido à existência.

Os eclipses não apenas abalam estruturas, mas também nos ajudam a enxergar o que se tornou um obstáculo no caminho do nosso verdadeiro eu. Eles iluminam o que precisa ser enfrentado sem escapismos. Como firmamos os pés no chão, sonhamos e seguimos com consciência e presença, confiando no processo? Como transformamos a névoa da ilusão em algo concreto e real?

O que antes era encanto pode se transformar em desencanto. Mas é justamente no desencanto que pode renascer um encanto mais autêntico. O fim de uma relação complicada pode abrir espaço para uma conexão mais leve e respeitosa. Aquilo que parecia único e estável pode, na verdade, estar impedindo algo novo de emergir. É preciso luz para discernir entre realidade e projeção. Talvez o desencanto não seja apenas uma quebra, mas um convite para ver de outra forma, para redescobrir encontros sem ilusões, com verdade.

No fundo, viver é esse contínuo entre encantamento e desencanto, apagão e clareza, ação e introspecção. E talvez seja nesse jogo de contrastes e nuances que resida a verdadeira beleza da existência.

fotografia de Fernanda Curi, Jardim Botánico do Porto, março 2025.

Quer saber mais sobre o próximo eclipse?

ECLIPSE SOLAR PARCIAL – 29/03/2025

No sábado 29 de março, teremos um eclipse solar muito significativo, com 6 astros envolvidos – um verdadeiro marco astrológico que trará mudanças inevitáveis e profundas. Esse trânsito raro acontece no signo de Peixes, e seu impacto será sentido especialmente na área do seu mapa natal onde esse signo está presente.

Horários do Eclipse:

Brasília (BR): 5h50 – 09h43 (ponto máximo às 7h47)

Lisboa (PT): 8h50 – 12h43 (ponto máximo às 10h47)

Com tantos planetas concentrados em um único signo, esse eclipse atua como um grande catalisador de transformações, trazendo à tona questões ligadas ao karma, dharma, padrões e hábitos, relacionamentos, desilusões e confusões. As mudanças podem parecer intensas e até nebulosas no momento, mas fazem parte de um processo maior de renovação.

O que fazer nos dias próximos ao eclipse? A semana que antecede um eclipse é um período de introspecção. Evite tomar grandes decisões, pois tudo tende a ficar mais claro depois que a energia do eclipse se assenta. É um bom momento para simplificar a rotina e se preparar energeticamente para esse evento cósmico.

Dicas para vivenciar o eclipse com mais consciência:

Evite distrações e atividades mundanas – O eclipse é um momento para contemplação e interiorização. Se possível, reserve esse tempo para práticas meditativas e rituais de conexão.

Escolha uma prática espiritual – A meditação e os mantras são extremamente poderosos nesse momento. Diz-se que um mantra entoado ou ouvido durante o eclipse tem um efeito multiplicado. Algumas opções tradicionais incluem Ganapati Atharvashirsha, Sri Rudram e Vishnu Sahasranama. Escolha o que mais ressoar com você.

Fique acordado durante o eclipse – Especialmente no ponto máximo, aproveite a energia desse portal para meditar e elevar sua vibração.

Não olhe diretamente para o céu – Não é auspicioso observar o eclipse a olho nu. Direcione seu foco para dentro.

Jejue durante o eclipse – Evite comer e beber nesse período. Tradicionalmente, recomenda-se também não consumir alimentos preparados antes do eclipse. Após o evento, prefira refeições frescas e leves.

Tome um banho e renove-se – Após o eclipse, um banho ajuda a limpar as energias acumuladas. Vista roupas limpas para simbolizar esse novo ciclo.

Este é um momento especial de realinhamento, permitindo-nos soltar o que já não serve e nos abrir para o novo. Cada eclipse é um convite para recomeçar de forma mais consciente, alinhada com nosso crescimento e desenvolvimento espiritual.

Se quiser entender como esse eclipse impacta você, seu mapa natal pode revelar as áreas mais impactadas. Agende aqui a sua leitura!

Que esse momento traga clareza, transformação e renovação!

Om Namah Shivaya

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chama que transforma